O que é pré-diabetes?
O pré-diabetes é uma condição em que os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas ainda não atingiram o limiar do diabetes tipo 2. É diagnosticado quando a glicemia de jejum está entre 100 e 125 mg/dL, ou quando a hemoglobina glicada (HbA1c) está entre 5,7% e 6,4%.
A boa notícia: diferente do diabetes estabelecido, o pré-diabetes é amplamente reversível com mudanças de estilo de vida.
Por que os primeiros seis meses são decisivos?
Estudos do Diabetes Prevention Program — o maior ensaio clínico randomizado já realizado sobre o tema — mostraram que intervenções de estilo de vida reduziram em 58% o risco de progressão para diabetes tipo 2. O efeito foi maior justamente nos primeiros seis meses, quando o pâncreas ainda responde bem às mudanças.
Os três hábitos com maior evidência
1. Redução de peso modesta (5–7% do peso corporal)
Não é preciso atingir o peso ideal. Uma redução de apenas 5 a 7% do peso corporal — cerca de 4 a 6 kg para uma pessoa de 80 kg — já é suficiente para melhorar significativamente a sensibilidade à insulina.
2. Atividade física moderada regular
Pelo menos 150 minutos por semana de atividade moderada, como caminhada rápida. Não precisa ser academia — caminhada diária de 30 minutos já conta.
3. Redução de carboidratos refinados
Substituir arroz branco por integral, reduzir açúcar e bebidas adoçadas, e aumentar fibras. O objetivo não é eliminar carboidratos, mas melhorar a qualidade da dieta.
Quando a medicação entra em cena?
A metformina pode ser indicada para pessoas com pré-diabetes de alto risco — especialmente jovens com IMC elevado. Mas essa decisão é sempre do médico, com base no quadro individual.
Como acompanhar?
Repetir a glicemia de jejum e a HbA1c a cada 6 meses é o padrão recomendado. Se os valores voltarem ao normal por pelo menos um ano, o diagnóstico de pré-diabetes é removido.
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Referências: Diabetes Prevention Program Research Group (2002), NEJM 346:393–403. SBD — Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2024.